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7.6.13

Em relação ao Usuário de Drogas... O Problema é a Jaula !!!

O problema é a jaula Denis Russo Burgierman 

As leis que temos hoje proibindo as drogas foram em grande parte inspiradas por pesquisas científicas realizadas nos Estados Unidos na década de 1960 com ratinhos presos em gaiolas. Cada ratinho ficava trancado sozinho em uma jaula pequena, com um canudo preso a uma veia. A cada vez que o bicho puxava uma alavanca, uma dose de morfina, heroína ou cocaína era despejada em sua corrente sanguínea. Os resultados eram assustadores: a maioria dos animais se afundava nas drogas. Alguns passavam o dia inteiro puxando as alavancas e ficavam tão viciados que se esqueciam de comer e beber e acabavam morrendo de fome. Conclusão: drogas são substâncias mortíferas, que causam dependência severa e matam.
Bom, se ratinhos saudáveis transformam-se em zumbis com uma dose, o mesmo deve acontecer com humanos, certo? Melhor então proibir tudo e punir severamente os infratores, para evitar que meninos e meninas tenham o mesmo destino desses pobres roedores. É essa a lógica da política de Guerra às Drogas.
Aí, no final dos anos 70, um psicólogo canadense chamado Bruce Alexander teve uma ideia. Ele resolveu repetir o experimento, mas, em vez de trancar as cobaias numa solitária, construiu um parque de diversões para os bichinhos – o Rat Park. Tratava-se de uma área enorme, de quase 100 metros quadrados, cheia de brinquedos, túneis, perfumes, cores e, o mais importante, habitada por 16 ratinhos albinos. Ratos brancos, como humanos, são seres sociais – adoram brincar uns com os outros. Eles são muito mais felizes em grupo. Outros 16 ratinhos tiveram sorte pior – foram trancados nas jaulas tradicionais, sem companhia nem distração. Ambos os grupos tinham acesso livre a dois bebedores – um jorrando água e o outro, morfina.

O Rat Park
Os ratos engaiolados fizeram o que se esperava deles: drogaram-se até morrer. Mas os do Rat Park não. A maioria deles ignorou a morfina. Podendo escolher entre morfina e água, os ratinhos do parque no geral preferiam água. Mesmo quando os ratos do Rat Park eram forçados a consumir morfina até virarem dependentes, eles tendiam a largar o hábito assim que podiam. O consumo da droga entre eles foi 19 vezes menor do que entre os ratinhos enjaulados.
Ou seja, o problema não é a droga: é a jaula. O que é irônico considerando que nossa política de drogas tem como premissa justamente enjaular na cadeia os dependentes.
Hoje entende-se bem como funciona a química da dependência no cérebro. O centro da questão é um químico chamado dopamina, o principal neurotransmissor do nosso sistema de recompensa. Quando animais sociais ficam isolados e sem estímulos, seus cérebros secam de dopamina. Resultado: um apetite enorme e insaciável pela substância. Drogas – todas elas – têm o poder de aumentar os níveis de dopamina no cérebro, aliviando essa fissura. O nome disso é dependência.
Ou seja, não é a droga que causa dependência – é a combinação da droga com uma predisposição. E o único jeito de curar dependência é curar essa predisposição: dando a esse sujeito uma vida melhor, como Bruce Alexander fez com os ratinhos do Rat Park.
Hoje a maioria dos países desenvolvidos entendeu isso e criou políticas públicas de cuidado e acolhimento para resolver o problema da droga. O melhor exemplo disso é Portugal, que há apenas dez anos vivia uma emergência pública com um surto de dependência em heroína, e hoje é considerado inspiração para o mundo em termos de políticas de drogas bem sucedidas. O que Portugal fez foi abrir consultórios nas cracolândias de lá, com um atendimento de boa qualidade, que trata os dependentes com respeito, tenta enriquecer suas vidas, estimula o convívio social, incentiva-os a buscar ajuda, oferece a eles ambientes tranquilos, acolhedores.Os resultados foram espetaculares.
Mas, enquanto o mundo muda em resposta às novas descobertas científicas, o Brasil continua endurecendo suas leis. Em vez de buscar inspiração em Portugal, copia experiências das ditaduras da Ásia, com cadeia, imposição de tratamento, até mesmo conversão forçada a certas igrejas, que recebem dinheiro público para “tratar” drogados usando a Bíblia. Um político paulista disse que sua estratégia para resolver o problema na cracolândia era causar “dor e sofrimento” para expulsar os dependentes de lá – ou seja, aumentar o estresse. É justamente a receita para matar ratinhos. E para aumentar o consumo de drogas.
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27.5.13

Um pouco mais sobre a Redução da Idade Penal.




Quando alguém acena com a possibilidade da redução da Idade Penal, obviamente tem em mente a busca pelo aumento da sensação de segurança pública, porém é preciso relativizar em que medida esta ação imediatista realmente irá reduzir o problema da infância em sua origem, ou seja, a escola degradada, a saúde sucateada e insuficiente à toda população, oportunidades de trabalho para os familiares, oferta de métodos contraceptivos aos segmentos mais populares, cultura e consequentemente um ambiente societário mais propício a formação de valores que nos levem a uma juventude mais saudável, menos violentada e consequentemente menos violenta. imaginar que o encarceramento irá reduzir a violência sofrida e praticada por nossos jovens é o mesmo que enxugar gelo. Ou chamamos os Governos Federal, Estadual e Municipal à responsabilidade com a Infância ou daqui a alguns meses estaremos discutindo novamente a redução da idade penal, quem sabe para os doze anos de idade.
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17.5.13

Não é Drogadição é Miséria!!! Um outro Olhar sobre a População de Rua...

Este Estudo evidencia que há a necessidade em se discutir as causas e não somente o efeito da condição de miserabilidade em que vive boa parte de nossa população, querer reduzir as causas encontrando como razão para este fenômeno a drogadição é querer ocultar as verdadeiras razões que levam trabalhadores, biscateiros subempregados, catadores que não recebem nenhum apoio dos órgãos oficiais que via -de- regra só se relacionam com este público quando é para recolhê-los justamente da condição que ele próprio(o estado) não impediu que eles vivessem.

Estudo no RJ mostra que maioria da população de rua não bebe nem usa drogas
O Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro realizou um estudo para traçar um perfil das pessoas em situação de rua, na região metropolitana da capital. A pesquisa derrubou mitos e trouxe à tona outra realidade sobre o perfil dessa população. Somente 13% dos moradores de rua são analfabetos, 65% não bebem e 62% não usam drogas.
“A intenção do projeto era realizar um mapeamento dessa população. É muito difícil realizar esse censo, nem o Censo do IBGE os afirma, pois parte da premissa do endereço,ou seja,  são pessoas invisíveis”, afirmou a coordenadora do estudo, Juliana Moreira.
Para o vereador Renato Cinco (PSOL), a desmistificação dos hábitos da população de rua é “extremamente importante”. “Esse estudo fortalece uma crítica que fazemos ao governo e para a imprensa, que sempre transformou a população de rua como ‘cracudos’. Espero que possamos tratar dessa população sem os estigmas e os mitos que recaem sobre eles.”
“Há relatos durante as entrevistas de violação de Direitos Humanos por parte dos agentes da prefeitura. Os relatos apontam que esses agentes rasgam os documentos”, disse Cinco sobre o projeto “População de Rua”, da prefeitura do Rio, que começou em dezembro. “Tenho escutado muitas denúncias de violência contra moradores de rua nessas abordagens do projeto. É um processo de higienização no Rio de Janeiro.”
O Ministério Público do Rio entrou com uma ação civil pública, onde pede a perda de função pública e suspensão por cinco anos dos direitos políticos do prefeito Eduardo Paes e do secretário de governo, Rodrigo Bethlem, por conta da ação adotada contra moradores de rua. Segundo a promotoria, os agentes utilizam armas de fogo para levarem compulsoriamente as pessoas a um abrigo.
A ausência dos documentos evita que pessoas em situação de rua não tenham acesso a políticas sociais. A Defensoria escutou 1.247 pessoas em situação de rua, destes, 1.049 não possui acesso a benefícios assistenciais.
Com os resultados, a Defensoria irá estabelecer parcerias com o Tribunal de Justiça e o Ministério do Trabalho, para emitir novos documentos e emitir a Carteira de Trabalho da população de rua.


Leia mais:http://revistaforum.com.br/blog/2013/05/estudo-no-rj-mostra-que-maioria-da-populacao-de-rua-nao-bebe-nem-usa-drogas/



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4.7.12

A degradação da Escola Pública e o Adolescente em conflito com a Lei.

A degradação da escola Municipal atinge diretamente milhares de crianças que não encontram nesta escola um espaço de entretenimento, convívio social, educação coletiva, desenvolvimento cognitivo, esportivo, psicossocial...  Ao romper seus laços com esta escola esta criança busca a rua como espaço para sanar sua carência afetiva, social e lúdica. Infelizmente a rua não oferece estas possibilidades da mesma forma que a escola o faria, a rua tem um preço e este preço é caro. O contato com drogas para quem não tem maturidade psíquica pode custar muito caro...Este processo pode levar crianças a um processo de adultização precoce que comprometerá toda sua infância, adolescência e trará, provavelmente,  uma maturidade vinculada a valores que foram reafirmados na rua sem a orientação educacional de profissionais competentes para fazê-lo. Não se trata de afirmar que a Escola deva ser a tábua de salvação, contudo é inegável o seu papel e infinita suas possibilidades. Sucatear a escola é jogar às ruas um conjunto enorme de crianças que só poderão encontrar a ação educativa do Estado quando estiverem tão comprometidas com os vícios de seu ambiente societário, que não é mais na escola, que infelizmente estarão vinculados ao estado, ao contrário, estes estarão na provável condição de infratores.
E aí não há como não citar Pitágoras, quando este afirma: ''Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos'.'
No fim eles serão culpabilizados por um processo que iniciou-se com a degradação da escola pública, os secretários, os prefeitos, os governadores estarão sendo ovacionados e votados pelos mesmos cidadãos que estarão  condenando os jovens que não estudaram e que em sua grande maioria estarão vinculados aos sistema sócio-educativo, que por sua vez estará sendo acusado de não recuperá-los.

Prof. Antonio Futuro
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25.6.12

Nota aos psicólogos e assistentes sociais que atuam na Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro


Por Redação, CRP-RJ

O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro [CRP-RJ] e o Conselho Regional de Serviço Social do Rio de Janeiro [CRESS/RJ] vêm manifestar seu repúdio à operação em curso de recolhimento compulsório da população em situação de rua efetivada pela Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro [SMAS/RJ]. Tal ação visa retirar tal população das áreas de visibilidade midiática da cidade, notadamente a Zona Sul e a Barra da Tijuca, e deslocá-la para abrigos da Prefeitura, tendo assim o objetivo de escamotear as contradições sociais e “varrer para debaixo do tapete os indesejáveis urbanos”, presença non grata durante a ocorrência da Rio+20.
O recolhimento vem sendo prática corriqueira desta Secretaria, política esta conflitante com a Política Nacional de Assistência Social, com a Política Nacional para a População em Situação de Rua, com as orientações do Ministério do Desenvolvimento Social sobre abordagem social e com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Trata-se de prática discriminatória e higienista, que tanto cerceia a possibilidade da construção de políticas públicas junto àquela população quanto viola direitos fundamentais, a exemplo do direito constitucional de ir, vir e permanecer, existindo inclusive jurisprudência para casos semelhantes na cidade de São Paulo, na qual moradores de rua receberam habeas corpus para circular livremente.
Reconhece-se, com isto, que o recolhimento da população em situação de rua é uma ação ilegal e uma afronta ética às práticas desenvolvidas pelos profissionais no âmbito das políticas de assistência social. O CRP-RJ e o CRESS/RJ repudiam veementemente esta política de recolhimento da SMAS/RJ e reiteram que a atuação de psicólogos e assistentes sociais na abordagem social deve ser pautada pelos marcos legais do Sistema Único de Assistência Social [SUAS] e por seus códigos de ética.
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