24.3.16

A EDUCAÇÃO PROIBIDA

Para ser Professor, educador, ou simplesmente ousar falar sobre Educação é preciso entendê-la, compreendê-la para além do mais simples. Pensar Educação é compreender as nuances implícitas em toda sua complexidade, sua história, seus objetivos e suas intencionalidades; Quem a dirige e com que fim ? Quando ela ganha a formatação que conhecemos hoje? 
Só quando respondidas ou compreendidas minimamente estas questões é que poderemos avançar em sua compreensão e então talvez iniciemos a percepção de seus sucessos e seus fracassos.
Será que de fato é fracasso? Precisamos entender quais as suas intenções, então a partir desta compreensão é que de fato pode-se entender se o seu objetivo, uma vez esclarecido, fora ou não alcançado, então compreender-se-á se houve sucesso ou fracasso.
Quando alguém Afirma se houve fracasso ou não, é porque estas questões já estão a priori resolvidas, decididas na cabeça de quem julgou.
Portanto sentenciar a Educação é o mesmo que afirmar um modelo ou outro de Educação, é confirmar uma hipótese que já esteja previamente deliberada na cabeça do julgador,
Portanto não se trata de analisar o sucesso ou fracasso, e sim, a intenção e só depois analisa-se se a intenção fora alcançada ou não.
Há uma frase de antropólogo Darcy Ribeiro que nos ajuda muito na percepção desta narrativa, que é:
'' A crise na Educação do Brasil não é uma crise: É um projeto''. Em tese a proposta do vídeo é esta, com o detalhe de que ela, a exemplo de Darcy e tantos outros, propõe o que ali aparece como uma proposta proibida.
Metaforicamente podemos dizer que experimentamos cotidianamente muitas educações proibidas, em nossas escolas, nos assentamentos, nas Universidades... Qualquer um que ouse sair da caixinha irá encontrar resistências, pontuais ou não. O fato é que elas, as resistências, aparecerão.
Provas, comportamentos, controle, silêncio... Foucault já aponta as, não por acaso, similitudes deste binômio; Escola x Fábrica, aí vale a oportuna leitura de Vigiar e Punir. Neste sentido creio que também colabore muito com a construção desta percepção o insuperável; Tempos Modernos de Charlie Chaplin que em muito aguça os sentidos quando aponta as dificuldades da adaptação do homem oriundo de um modelo societário mais rural, bucólico, menos urbano em contrapartida ao crescente desenvolvimento das cidades onde as relações se aligeiraram, era o surgimento das fábricas, das manufaturas, das novas relações de mão de obra do que então viria ser chamado de Revolução Industrial. O filme não aponta objetivamente a escola, mas na medida que evidencia a dificuldade da fábrica, com aquele crescente fenômeno de deslocamento, campo x Cidades, e as consequentes dificuldades da manufatura, certamente que ele sugere que a educação teria papel preponderante neste processo.
Portanto, ao analisar o fracasso da escola é fundamental entender as raízes  históricas que definiram e definem o papel desta escola.
O vídeo em questão ajuda-nos a decifrar alguns destes questionamentos, coloca-nos uma série de gostosas dúvidas e certamente nos desafia a pensar a Educação que estamos fazendo, ou seja; Pra quem? Então, respondidas estas questões estaremos um poucos mais próximos da possibilidade de compreensão do fracasso ou sucesso da escola. 
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14.11.15

'Nós hipotecamos o futuro', critica sociólogo polonês Zygmunt Bauman



Nesta quase simples, digo quase em função de que é difícil caracterizar desta forma uma fala de tamanha importância, porém podemos destacar a leveza que o filósofo coloca em suas palavras, nesta interessante entrevista. Bauman aborda algumas questões pungentes, porém complexas e que devem ser analisadas para que possamos compreender o que realmente está acontecendo no mundo.  que são narrativas presentes em seus textos. A fluidez de uma sociedade capitalista e sem expectativas de futuro. 


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3.11.15

Em relação ao episódio da Criança que quebra a escola no RJ.
Primeira observação; Repare que a postagem, faz coro a ideia de culpabilizar a família, o que invariavelmente cria a atmosfera de culpa na própria criança, no problema em si, ou seja, desfocando da responsabilização de uma atmosfera de violência social que ecoa na escola, ultrapassa os muros do olimpo, invade nosso espaço outrora intocável, não se trata mais de um problema, como afirmam alguns equivocadamente, que não nos diz respeito. NÃO !!! Se eu trabalho com esta criança e ela vem com estas características, ou seja, machucada, ferida, magoada, insegura... É fato, que; a partir de então, estas características da criança fazem parte de meu trabalho, permeiam minha ação, definem o grau de investimento que vou ter, exigem maior ou menor rigor neste ou naquele caminho, não fui eu quem criou as características da criança, mas elas fazem parte de meu trabalho, portanto este problema, a partir de então, também é meu, ou melhor, incide diretamente sobre o meu trabalho e como tal não poderei desprezá-lo, sobretudo no que diz respeito ao processo de atendimento educacional daquela criança. Não cabe mais a fala equivocada de que; ''Eu não tenho nada com isto''' Tenho sim !!! O Médico cardiologista não sugere que o paciente pare de fumar? Seguindo esta lógica ele deveria falar; ''Este problema não é meu''. Ora ??? Nada mais bizarro !!!
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